ປະສາດຊາຍ
~castells de sorra~

Das cousas de Ramón Lamote

Das cousas de Ramón Lamote

TÍTULO: Das cousas de Ramón Lamote
AUTOR: Paco Martín (escritor), Xoán Balboa (ilustrações)
EDITORA: Galaxia
ANO: 1985
PAÍS: Galiza, Espanha
LÍNGUA: galego
PÁGINAS: 126
ISBN: 978-84-9865-056-3 (2008, 2ª edição na colecção “árbore”)
★★★★☆

Há 7 anos, pedi pra um galego conhecido meu algumas sugestões de livros de fantasia em galego. Depois da quest das livrarias galegas, em 2012 finalmente consegui comprar os livros, mas confesso que até hoje não tinha lido nenhum deles até o fim. Pensando na facilidade de leitura, decidi começar com um bestseller da literatura infanto-juvenil galega: “Das cousas de Ramón Lamote”. Ao mesmo tempo, meu primeiro livro em galego e minha primeira leitura do ano.

Tendo como protagonista Ramón Lamote Miñato, um professor de chairego -idioma fictício que faria referência à Terra Chã, em Lugo, no norte da Galiza- e desenhista de sonhos por encomenda de 61 anos, o livro é composto de várias anedotas do seu dia-a-dia com situações inusitadas, muitas vezes beirando ao nonsense. Tudo se passa numa cidadezinha de interior em que as pessoas, mesmo da elite, têm um nível de cultura baixo e os professores da escola desfrutam da posição de incontestáveis autoridades do conhecimento. Há também uma dimensão de crítica social, com a existência de uma classe alta arrogante e hipócrita que se acha importante mas no fundo não é nada, no maior estilo Dona Florida e Quico. E é que em terra de cego, quem tem olho é rei.

O livro, que faz parte do imaginário colectivo de toda uma geração de crianças dos 80 e 90 na Galiza, rendeu ao autor luguês Paco Martín os prêmios Barco de Vapor (1984), Losada Diéguez de creación (1985) e Nacional de Literatura Infantil y Juvenil (1986), além da inclusão na lista de honra do International Board on Books for Young People (1986), da White Ravens e da Internationale Jugendbibliothek. Além disso, foi traduzido ao espanhol, catalão, basco e asturiano, e alcançou considerável popularidade na América Latina.

Escolhi o trecho abaixo, ao que segue uma adaptação pessoal em português brasileiro:

- Distinguidas donas e cabaleiro - repetiu -, o tema da miña disertación, hora é que saiban del, será «Xeneralizacións sobre da cría, costumes e posibilidades de utilización no fogar do Entomodelfo»… - Distintas damas e cavalheiro - repetiu -, o tema da minha palestra, hora é que saibam dele, será “Generalizações sobre a criação, costumes e possibilidade de utilização do Entomodelfo no lar”…
[…]
- … é un mamífero ovíparo propio de Grenlandia e que, despois de se botar fóra do ovo, pasa en estado de ninfa as súas tres primeiras semanas ben gardadiño no casulo onde se lle desenvolve lixeiramente as asas, que, ao primeiro, serán de pelica transparente até chegar aos sete meses e nove días, que é cando lle comezan a medrar as plumas. - … é um mamífero ovíparo próprio da Groenlândia e que, depois de sair do ovo, passa em estado de ninfa as suas três primeiras semanas bem fechadinho no casulo onde se desenvolvem ligeiramente as suas asas, que, inicialmente, serão de pelica transparente até chegar aos sete meses e nove dias, que é quando começam a crescer suas plumas.
[…]
Podiamos aquí afirmar tamén que o Entomodelfo, coñecido cientificamente como Marsupíctero marsupíctero, é un animal do que non sería esaxerado dicir que é algo desgraciado nos seus primeiros tempos de vida se temos en conta que a nai, despois de poñer o único ovo cuadrienal - como ben saben vostedes non ten máis posibilidades de posta que o día vinte e nove de febreiro - vese instintivamente forzada a emigrar ao Suroeste asiático confiada en recuncar se se desen ben certas diferenzas de calendario, polo que deixa a cría abandonada á súa sorte. Isto supón o primeiro trauma para o Entomodelfo, xa que a falta da nai é particularmente magoante dada a súa condición de mamífero… Poderiamos aqui afirmar também que o Entomodelfo, conhecido cientificamente como Marsupíctero marsupíctero, é um animal sobre o qual não seria exagero dizer que é um tanto azarado nos seus primeiros tempos de vida se levamos em consideração que a mãe, depois de botar o único ovo quadrienal - como bem sabem os senhores ela não tem mais possibilidades de postura senão no dia vinte e nove de fevereiro - vê-se instintivamente forçada a emigrar ao Sudoeste asiático, confiada de voltar se se dessem bem certas diferenças de calendário, portanto deixando a cria abandonada à sua sorte. Isto supõe o primeiro trauma para o Entomodelfo, já que a falta da mãe é particularmente traumática dada a sua condição de mamífero…
[…]
Estaba xa a piques de botarse fóra cando se lle achegou unha nena, preciosa, duns sete ou oito anos. Estava já prestes a se retirar quando se aproximou dele uma menina, adorável, de uns sete ou oito anos.
- Señor Lamote… - Senhor Lamote…
- Si, guapiña, que queres? - Oi, lindinha, o que foi?
- Eu estiven alí gardada escoitando o que vostede dicía porque miña nai non me deixa asistir ás conferencias, di que aínda son moi pequena e nada entendo… - Eu estava ali quietinha escutando o que o senhor dizia porque a minha mãe não me deixa assistir às palestras, diz que ainda sou muito pequena e nada entendo…
- Si, muller, iso é o que sempre din. - É, filha, isso é o que sempre dizem.
- Pois o que eu agora queria era amosarlle o meu Entomodelfo. Aquí o ten. Chámanlle Moxanelo. - Pois o que eu queria agora era lhe mostrar o meu Entomodelfo. Aqui está. Se chama Mojanelo.
E era o Entomodelfo máis fermoso que Lamote vira nunca. Un magnífico exemplar que contestou ao saúdo do home chiscando con picardía o ollo esquerdo… E era o Entomodelfo mais belo que Lamote já vira. Um magnífico exemplar que respondeu ao cumprimento do homem piscando com malícia o olho esquerdo…

(Os erros da tradução são inteiramente de minha responsabilidade. Note que a tradução não é literal e que onde difere do original não significa que uma forma idêntica não pudesse ter sido utilizada.)